Estive em Barcelona e lembrei do Brasil:

"Em Barcelona, 1 de cada 3 mortos em acidentes de trânsito andava a pé. Atenção! Todos somos vítimas! (tradução livre)
Parece que lá também é assim: a campanha é voltada às vítimas, não aos infratores.
O memorial do Bruns não para de crescer. Felizmente o cara tem o corpo fechado e não sofre nada, só os ferros entortam.
Azar ou sorte da bela Callas, que precisou de um transplante de quadro.
Abaixo a explicação da baixaria.

Oups...
Voltando do casório do nosso amigo, a menos de 30 metros de casa, um carro que estava em movimento resolve entrar no prédio à esquerda.
Mas antes, ele deu seta. Uns 0.32 segundos antes de virar de fato…
Meu reflexo foi desviar do carro e usar o outro parado como amortecedor enquanto eu tentava (e como tentei) parar a fixa. Não deu. Bati forte e caí em pé (!). Nada de batidas de cabeça ou mesmo corpos ralando no chão. Não aconteceu nada comigo. Já a Callas…
Ela entortou a frente e as fotos em p/b falam por si.

Inviável
(dois dias depois…)
Um aviso do Multiply me avisa que o Mocó do Canna tem novidades. Entre elas um quadro Caloi 10 Triathlon recém pintado. Por acaso, quase na mesma cor que Callas original. A diferença principal é a geometria. Agora a roda fica mais embaixo da bunda (ui!) o que deixa a bike mais rápida e até mais no chão (primeiras impressões ainda).

Ressurgida das cinzas
Talvez você não perceba nenhuma diferença. Isso é intencional =D
Abraços,
Bruns
ps. “Agradeço a graça alcançada”. Thanks to Canna’s Mocó Inc.
Para Sempre te lembraremos, nossa eterna 1ª Dama.
“Márcia Regina de Andrade Prado, 40, massagista, ciclista, primeira dama das rodas fixas paulistanas, minha amiga, mais uma vítima da imbecilidade humana. Nunca vi ela de mal humor, nunca vi ela sendo grossa com alguém, sempre uma presença tranquila e bem vinda. Descanse em paz.” Sílvio

SoroTRIP - Foto CANNA
“Tudo começou quando comprei uma monark 10. O Canna, em minha homenagem, deu a ela o nome de Monárcia. Ela estava toda zoada, detonada mesmo. Tinha rodas, mas carcomidas por ferrugem, a pintura estava nojenta, enfim um lixo. Comecei a ver como fazer para pintar e comprar as peças. A coisa foi demorando e resolvi partir para um plano B, que consistia em comprar uma bike em melhores condições. Achei uma caloi 10 bastante boa, mas não consegui ajustar meus horários com os do proprietário, e uns 10 dias depois parti para uma caloi sprint 10.
PS: e agora temos um bicicleteiro que monta fixas!”

Ela também assinou o Manifesto dos Invisíveis – leia um trecho que destacamos:
“(…) clamamos por respeito. Às leis de trânsito, à vida. As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos, como manda a lei e reza o bom senso. Porém, muitas pessoas não se arriscam a pedalar por medo da atitude violenta de alguns motoristas. (…)
Preferimos crer que podemos fazer nossa cidade mais humana, do que acreditar que a solução dos nossos problemas é alimentar a segregação com ciclovias. Existem alternativas mais rápidas e soluções que serão benéficas a todos, se pudermos nos unir para construi-las juntos.”

compartilho com vocês um dos últimos emails, que Márcia enviou para os apreciadores das FIXAS , aqui em SAMPA:
” Senhoras e Senhores,
Segue enfim a foto da Mona, diretamente da praça mutante.
Agradecimentos especiais ao sr. Libélula, sempre ágil e eficiente!
Não se decepcionem, essa não é uma superprodução Cannonica… Segue a linha básico-que-some-na-multidão-e-pode-ser-parado-em-qquer-lugar-sem-medo.
Bjs,
Márcia”
……
Aqui um relato do LUTO, escrito pelo Mestre CANNA:
“Tá difícil de acreditar.
A gente no dia-a-dia, se acostuma com o risco de andar de bicicleta em SP, de viver nesta merda. Eu acreditava que era possível usar este meio de transporte, mas isso que aconteceu com a Márcia não vai me deixar pedalar tranquilo. Eu não consigo.
Puta que pariu, só Deus sabe porque coisas assim acontecem e peço a Ele que proteja os nossos caminhos, peço que vocês se cuidem no trânsito, pensem que qualquer dia pode ser o último passeio, a última bicicletada, a última vez que vc vê seu pai, sua mãe. Por quê tem que ser assim, POR QUÊ?
Eu perdi uma amiga, um nova amiga e de verdade…é difícil ver uma mensagem na sua caixa de emails de alguém que não está mais aqui!
Sei que é um momento de emoção mas, senti o quanto vocês da bicicletada, que às vezes vejo uma vês por mês e olhe lá, são importantes para mim.
Só consigo pensar na manhã do dia 1º de Janeiro,no nosso encontro ciclístico no centro em que vimos aquele raiar de dia lindo, no topo do prédio. Voltei com ela até o Ipiranga, pedalando pela Avenida Paulista que seria onde ela pedalaria seus últimos metros neste mundo.
Eu não tô legal não. Tô muito confuso e preciso pensar no que realmente importa na vida…isso não foi justo, mas quem sabe de nosso destino é algo superior que não erra – e temos que nos amparar nisso para seguir a vida.
Tchau moça do capacete vermelho.
Canna”
………………….
Outras Homenagens:
Luto pela morte de ciclista – 1
Luto pela morte de ciclista – 2
O motor venceu
Sempre Márcia
Sua pressa vale uma vida?
Vivemos a guerra, aqui na cidade
Fique em paz, Márcia
Márcia será sempre a nossa primeira dama
Guerreira do asfalto
Vida de ciclista
Cicloativistas paraenses realizam Bicicletada Márcia Prado, contra a violência no trânsito
Márcia Regina de Andrade PradoChega de Sociedade do Automóvel
……..
Homenagem à ciclista Márcia Prado:
QUINTA (15/01), às 18h, na Praça d@ Ciclista
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Bicicletada da Memória: Márcia Prado
SEXTA (16/01), às 18h, na Praça d@ Ciclista
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O N E L E S S G E A R
Meu amigo Gunnar foi atropelado. Tá vivo, mas se fodeo inteiro. Não pode trabalhar, namorar, sair de casa, etc. Ele é de Curitiba e Curitiba é foda pra pedalar. Lá tem menos trânsito e os motoristas são ainda mais retardados do que os de São Paulo, pisam fundo mesmo. Segunda-feira de manhã, indo trabalhar, ele foi abalroado pelo irresponsável que pelo menos teve a decência de não fugir. Não fugiu e se borrou inteiro quando viu a merda que tinha feito. Deve ser foda perceber que é bem fácil se tornar um assassino. Mas é importante que as pessoas percebam isso. É muito fácil destruir a vida de alguém quando se dirige uma arma de uma tonelada. O carro é uma ferramenta maravilhosa, mas pode ser uma arma, é inegável isso. É preciso ser consequente.
Foi pedalando a fixa do Gunnar que nasceu minha paixão pelas rodas fixas. Fiquei tão assustado que nem perguntei se ela sobreviveu. O importante é que ele está bem, vai carregar uns pedacinhos de ferro no corpo pro resto da vida, mas vai sobreviver. Inteiro!
Força amigo. Tudo passa. Amanhã você estará pedalando novamente.