Hoogerland é o cara

julho 11, 2011

Taqueupa, o Tour desse ano tá foda.

Esse cara foi arremessado para a cerca de arame farpado pela barberagem do carro da tv francesa, mas conseguiu continuar e conquistou a camisa de bolinhas e, com muita justiça, o prêmio de atleta mais combativo do dia.


Relato do atropelamento

abril 2, 2011

Perdi o timming. Mas, mesmo atrasado, vale a pena ler o relato do Dailor, nosso colega de trabalho fixeiro gaúcho.

Ele foi um dos “sortudos” que teve “só” umas escoriações e a bike esmagada pelo assassino do golf preto.

Este slideshow necessita de JavaScript.

Nunca na minha existência presenciei um tiroteio, mas essa foi a certeza ao ouvir as primeiras bicicletas e ciclistas estilhaçarem os vidros do Golf preto até eu ser atingido por trás e me perceber no chão, repleto de dúvidas. Ao olhar à minha volta e depois o carro no horizonte, comecei a entender que aquilo havia sido um atropelamento coletivo em plena Massa Crítica, proposital e cruel, em decorrência do surto egoísta e violento de um “cidadão de bem”.

A sensação física de um atropelamento é horrível, não há tempo de evitar e, quando acontece o impacto, o corpo é atingido rapidamente em vários lugares, a confusão de idéias se instaura e logo as dores começam a lembrar da realidade. Felizmente, nada grave: um entorse no tornozelo (facilitado pelo firma-pé, hehe), pontos nas costas e hematomas e arranhões por todo o corpo. Sorte.

Assim que percebi não ter sofrido nada grave, vi um amigo deitado no chão, inconsciente, mas com diversas pessoas ilesas e mais aptas a ajudá-lo, portanto tratei de me recompor. No mesmo instante recebo uma ligação da namorada, querendo saber se eu tinha participado da Massa – devido ao mau tempo – e quando iríamos nos encontrar. Na afobação de contar os fatos e sem saber da gravidade dos feridos, fiquei tonto, tive que sentar de novo. Por pouco não foi a primeira participação dela, e caso estivesse do meu lado esquerdo… Nem quero pensar…

Era a quarta Massa Crítica de que eu participava com uma fixa. Já éramos cinco ou seis todos os meses e cada vez mais gente que provava alguma alheia dizia “quero uma pra mim!”. Faz uns 3 anos que comecei a utilizar a bicicleta como meio de transporte e uns 6 meses que passei a pedalar quase que exclusivamente de fixa. E tem sido cada vez mais deliciosa a interação com a bicicleta e com o meio urbano, pois sabemos que é uma experiência diferente: antecipar as freadas, embalar nas subidas, reduzir com as pernas, sentir-se um só. Até então, minha opinião sobre o trânsito de Porto Alegre era mais positiva, naquilo que é possível ter de positivo em uma capital brasileira sem qualquer incentivo à bicicleta, ou seja, não recomendaria para muitos, porém me sentia relativamente seguro.

Já em relação à Massa, o clima era de amizade, celebração, tranqüilidade, reivindicação, visibilidade. Nem por isso tudo eram flores: xingamentos eram normais, pois o processo de sair da bolha não está ao simples alcance de uma atitude pessoal, é preciso vencer as estruturas alienantes e individualistas e, para contribuir com isso, não vejo como pedalar sem ser visto e sem “trancar” a rua momentaneamente. Mas esta já é uma discussão posterior que não deve prevalecer agora.

Apesar do descontentamento de muitos, nunca imaginei que algum motorista fosse capaz de simplesmente avançar o carro sobre mais de uma centena de ciclistas que pediam – vejam só que audácia! – mais humanização no trânsito e no espaço público. Sempre achei que uma briga poderia ocorrer, mas não isso.

Enfim, acho que a partir de agora tudo será diferente. A exposição dada ao fato nos coloca como responsáveis – qualquer ciclista – em defender cada vez mais a bicicleta como meio de transporte, o planejamento mais humano do espaço urbano e um maior respeito às leis de trânsito. Mas confesso que no momento, em meio a inquérito policial, processos judiciais e reportagens na mídia, o que eu queria mesmo era só pedalar de novo minha fixa!

Coragem!

Dailor Sartori Junior


Amor

março 1, 2011

Mandou bem, Danilo.


A colossal diferença paradigmática entre “Cuidado, crianças!” e “Cuidado: crianças!”

novembro 16, 2009

Em uma época onde as campanhas de educação no trânsito abundam, para contrastar a usual abordagem que flagrei em Barcelona, aqui vai a foto de uma placa em uma rua calma na Alemanha, às margens do Bodensee.

DSC_0254

"Por favor, dirija devagar." (Tradução livre)


Barcelona

novembro 5, 2009

Estive em Barcelona e lembrei do Brasil:

DSC_0062

"Em Barcelona, 1 de cada 3 mortos em acidentes de trânsito andava a pé. Atenção! Todos somos vítimas! (tradução livre)

Parece que lá também é assim: a campanha é voltada às vítimas, não aos infratores.


Callas reloaded

outubro 30, 2009

O memorial do Bruns não para de crescer. Felizmente o cara tem o corpo fechado e não sofre nada, só os ferros entortam.

Azar ou sorte da bela Callas, que precisou de um transplante de quadro.

Abaixo a explicação da baixaria.

Oups...

Oups...

Voltando do casório do nosso amigo, a menos de 30 metros de casa, um carro que estava em movimento resolve entrar no prédio à esquerda.

Mas antes, ele deu seta. Uns 0.32 segundos antes de virar de fato…

Meu reflexo foi desviar do carro e usar o outro parado como amortecedor enquanto eu tentava (e como tentei) parar a fixa. Não deu. Bati forte e caí em pé (!). Nada de batidas de cabeça ou mesmo corpos ralando no chão. Não aconteceu nada comigo. Já a Callas…

Ela entortou a frente e as fotos em p/b falam por si.

Callas 03

Inviável

O motorista do carro saiu, veio falar comigo, perguntou se estava tudo bem comigo, com a bike. Eu só respondia que estava tudo bem e que não havia acontecido nada. De lá eu saí com a bike no ombro e fui para casa, logo ali.

(dois dias depois…)

Um aviso do Multiply me avisa que o Mocó do Canna tem novidades. Entre elas um quadro Caloi 10 Triathlon recém pintado. Por acaso, quase na mesma cor que Callas original. A diferença principal é a geometria. Agora a roda fica mais embaixo da bunda (ui!) o que deixa a bike mais rápida e até mais no chão (primeiras impressões ainda).

ressurgida das cinzas

Ressurgida das cinzas

Montamos a bike na terça e o resultado é esse aí.

Talvez você não perceba nenhuma diferença. Isso é intencional =D

Abraços,
Bruns

ps. “Agradeço a graça alcançada”. Thanks to Canna’s Mocó Inc.


MÁRCIA, sempre será nossa 1ª dama

janeiro 14, 2009

Para Sempre  te lembraremos, nossa eterna 1ª Dama.

“Márcia Regina de Andrade Prado, 40, massagista, ciclista, primeira dama das rodas fixas paulistanas, minha amiga, mais uma vítima da imbecilidade humana. Nunca vi ela de mal humor, nunca vi ela sendo grossa com alguém, sempre uma presença tranquila e bem vinda. Descanse em paz.”  Sílvio

SoroTRIP - Foto CANNA

SoroTRIP - Foto CANNA

“Tudo começou quando comprei uma monark 10. O Canna, em minha homenagem, deu a ela o nome de Monárcia. Ela estava toda  zoada, detonada mesmo. Tinha rodas, mas carcomidas por ferrugem, a pintura estava nojenta, enfim um lixo.  Comecei a ver como fazer para pintar e comprar as peças. A coisa foi demorando e resolvi partir para um plano B, que consistia em comprar uma bike em melhores condições. Achei uma caloi 10 bastante boa, mas não consegui ajustar meus horários com os do proprietário, e uns 10 dias depois parti para uma caloi sprint 10.

A Monárcia foi pro Canna, a caloi 10 pra pqp e a sprint (ainda) 10 – em futuro batismo, Mona – fui buscar em Guarulhos, na minha primeira viagem àquela cidade. De metrô e ônibus. Confiando nas fotos e nas palavras do vendedor, decidi que voltaria pedalando uma bike desconhecida. Como o endereço ficava perto da Ayrton Senna, em poucos metros eu estava no acostamento de uma rodovia. Sentindo que o banco precisava estar mais alto. Que os freios poderiam estar melhores (mas, afinal, era uma sprint) e que era bom me acostumar logo àquela postura completamente diferente do habitual. Entrei na marginal e novamente as origens loiras atacaram, confundi a entrada para a marginal da marginal e de repente eu estava na pista expressa da marginal tietê!! Acho que os motoristas ficaram tão surpresos que ninguém passou perto de mim, então achei bom e segui um bom trecho por alí mesmo… Essa foi a segunda aventura – considerando a primeira ter a bike inteira e funcionando.
Cheguei em casa sã e salva, e à noite Canna e JuM apareceram para a transformação… que não aconteceu. A marreta de precisão não foi páreo para a catraca, então “apenas” depenamos a bike e no dia seguinte fui convencer meu bicicleteiro a montar uma fixa. Não sem antes ficar um tempão passando uma massa que ganhei do Canna para que as marcas do tempo fossem suavizadas. Algo como, segundo a JuM, uma exfoliação. Vários machucados nas mãos depois, a bike estava rejuvenescida.
O bicicleteiro precisou de 24hs para tomar coragem e sábado de manhã eu já estava lá pressionando o cara pra poder ter uma diversão fixa no finde. Às 13:00hs a bike estava pronta, de pneus novos (os antigos estavam péssimos) e eu ainda dei mais trabalho para ele pq comprei a fita anti-furo e claro que queria que ele colocasse.
Mas tive que trabalhar e não pude usar a bike no sábado, coisa que só aconteceu hj, domingo. Foram 2 rolês:
O primeiro, uns 50 minutos pedalando (no intervalo da garoa). Algumas considerações:
1- preciso de um canote maior
2- o selim continua empinando, apesar de todos os apertos. Preciso de outro carrinho, é isso?
3- o pedal esquerdo dá um soquinho num ponto da volta. É o pedal, não é o pedivela. Isso é questão de aperto ou terei que trocar os incríveis pedais de berlineta que acompanham a sprint?
4- a relação é pesada, mas menos do que achei. Até consegui encarar umas subidas, claro que não muito grandes nem tãoooo inclinadas. Mas preciso ajustar a altura do banco para não destruir meus joelhos.
5- Acho que talvez quem sabe esteja começando a pegar o jeito de reduzir a velocidade dela. Na verdade nesse rolê estava preocupada basicamente em parar, que é meu grande medo nessa bike. Para quem conhece minha casa, consegui encarar a descida até meu portão segurando a velocidade no pedal, só brequei na porta. Mas… DÓI!!! E claro que estou longe daquelas brecadas destroem pneus, só reduzo a velocidade, e ainda assim porque a velocidade anterior não era tanta. Mas é um começo, né?
O segundo, agora à noite. Nesse eu estava um pouco mais adaptada à bike, continuando mais preocupada com como segurá-la que com velocidade ou malabarismos (esses tentarei na garagem, escondida de todos. Chega de tombos públicos). Impressões:
– De fato não peguei nenhuma subida bicuda, mas fiquei espantada de encarar várias subidinhas pelo caminho e superar todas. Decidi que não quero mexer na relação nesse momento;
– Tive um momento de susto grande quando resolvi correr num trechinho. Perdi o controle dos pedais e fiquei com as pernas no ar esperando reduzir a velocidade para conseguir “achar” os pedais novamente. Achei que ia me arrebentar no chão. Mas foi bom porque então resolvi que tinha que treinar pedalar, e não só tentar parar. Sim, sei que o firma-pé serve exatamente para esses momentos…
– O soquinho no pedal esquerdo aumentou. Agora são 2 socos, em momentos distintos. E agora tenho um nheco-nheco no pedivela. Aquela história de bike silenciosa foi pro saco. Visita ao mestre bicicleteiro amanhã…
– Dores: nas mãos, em alguns lugares nas costas, na bunda e um pouco nas coxas.(…)
Acho que é isso.
E a minha fixa é a mais linda de todas, porque é minha!!!! hehehe
Márcia

PS: e agora temos um bicicleteiro que monta fixas!”

convar199

Ela também assinou o Manifesto dos Invisíveisleia um trecho que destacamos:

“(…) clamamos por respeito. Às leis de trânsito, à vida. As ruas são públicas e devem ser compartilhadas entre todos os veículos, como manda a lei e reza o bom senso. Porém, muitas pessoas não se arriscam a pedalar por medo da atitude violenta de alguns motoristas. (…)

Preferimos crer que podemos fazer nossa cidade mais humana, do que acreditar que a solução dos nossos problemas é alimentar a segregação com ciclovias. Existem alternativas mais rápidas e soluções que serão benéficas a todos, se pudermos nos unir para construi-las juntos.”

img_0349-1024-x-768

compartilho com vocês um dos últimos emails, que Márcia enviou para os apreciadores das FIXAS , aqui em SAMPA:

” Senhoras e Senhores,

Segue enfim a foto da Mona, diretamente da praça mutante.

Agradecimentos especiais ao sr. Libélula, sempre ágil e eficiente!

Não se decepcionem, essa não é uma superprodução Cannonica… Segue a linha básico-que-some-na-multidão-e-pode-ser-parado-em-qquer-lugar-sem-medo.

Bjs,

Márcia”

……

Aqui um relato do LUTO, escrito pelo Mestre CANNA:

“Tá difícil de acreditar.

A gente no dia-a-dia, se acostuma com o risco de andar de bicicleta em SP, de viver nesta merda. Eu acreditava que era possível usar este meio de transporte, mas isso que aconteceu com a Márcia não vai me deixar pedalar tranquilo. Eu não consigo.

Puta que pariu, só Deus sabe porque coisas assim acontecem e peço a Ele que proteja os nossos caminhos, peço que vocês se cuidem no trânsito, pensem que qualquer dia pode ser o último passeio, a última bicicletada, a última vez que vc vê seu pai, sua mãe. Por quê tem que ser assim, POR QUÊ?

Eu perdi uma amiga, um nova amiga e de verdade…é difícil ver uma mensagem na sua caixa de emails de alguém que não está mais aqui!

Sei que é um momento de emoção mas, senti o quanto vocês da bicicletada, que às vezes vejo uma vês por mês e olhe lá, são importantes para mim.

Só consigo pensar na manhã do dia 1º de Janeiro,no nosso encontro ciclístico no centro em que vimos aquele raiar de dia lindo, no topo do prédio. Voltei com ela até o Ipiranga, pedalando pela Avenida Paulista que seria onde ela pedalaria seus últimos metros neste mundo.

Eu não tô legal não. Tô muito confuso e preciso pensar no que realmente importa na vida…isso não foi justo, mas quem sabe de nosso destino é algo superior que não erra – e temos que nos amparar nisso para seguir a vida.

Tchau moça do capacete vermelho.

Canna”

………………….

Outras Homenagens:

Luto pela morte de ciclista – 1
Luto pela morte de ciclista – 2
O motor venceu
Sempre Márcia
Sua pressa vale uma vida?
Vivemos a guerra, aqui na cidade
Fique em paz, Márcia
Márcia será sempre a nossa primeira dama
Guerreira do asfalto
Vida de ciclista
Cicloativistas paraenses realizam Bicicletada Márcia Prado, contra a violência no trânsito
Márcia Regina de Andrade Prado

Ciclista Márcia, presente!

Chega de Sociedade do Automóvel

Nota de Luto

Luto

Um mundo sem carros

Ônibus mata ciclista

Não esqueceremos

A gente sente muito

Triste realidade

Protesto dos ciclistas na Paulista

Adeus Amiga!

Márcia Regina de Andrade Prado ( 17/11/1968   – 14/01/2009)

……..

Homenagem à ciclista Márcia Prado:

QUINTA (15/01), às 18h, na Praça d@ Ciclista


*

Bicicletada da Memória: Márcia Prado

SEXTA  (16/01), às 18h, na Praça d@ Ciclista

-.-.-.-.

O N E   L E S S   G E A R


%d blogueiros gostam disto: