Relato do atropelamento

abril 2, 2011

Perdi o timming. Mas, mesmo atrasado, vale a pena ler o relato do Dailor, nosso colega de trabalho fixeiro gaúcho.

Ele foi um dos “sortudos” que teve “só” umas escoriações e a bike esmagada pelo assassino do golf preto.

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Nunca na minha existência presenciei um tiroteio, mas essa foi a certeza ao ouvir as primeiras bicicletas e ciclistas estilhaçarem os vidros do Golf preto até eu ser atingido por trás e me perceber no chão, repleto de dúvidas. Ao olhar à minha volta e depois o carro no horizonte, comecei a entender que aquilo havia sido um atropelamento coletivo em plena Massa Crítica, proposital e cruel, em decorrência do surto egoísta e violento de um “cidadão de bem”.

A sensação física de um atropelamento é horrível, não há tempo de evitar e, quando acontece o impacto, o corpo é atingido rapidamente em vários lugares, a confusão de idéias se instaura e logo as dores começam a lembrar da realidade. Felizmente, nada grave: um entorse no tornozelo (facilitado pelo firma-pé, hehe), pontos nas costas e hematomas e arranhões por todo o corpo. Sorte.

Assim que percebi não ter sofrido nada grave, vi um amigo deitado no chão, inconsciente, mas com diversas pessoas ilesas e mais aptas a ajudá-lo, portanto tratei de me recompor. No mesmo instante recebo uma ligação da namorada, querendo saber se eu tinha participado da Massa – devido ao mau tempo – e quando iríamos nos encontrar. Na afobação de contar os fatos e sem saber da gravidade dos feridos, fiquei tonto, tive que sentar de novo. Por pouco não foi a primeira participação dela, e caso estivesse do meu lado esquerdo… Nem quero pensar…

Era a quarta Massa Crítica de que eu participava com uma fixa. Já éramos cinco ou seis todos os meses e cada vez mais gente que provava alguma alheia dizia “quero uma pra mim!”. Faz uns 3 anos que comecei a utilizar a bicicleta como meio de transporte e uns 6 meses que passei a pedalar quase que exclusivamente de fixa. E tem sido cada vez mais deliciosa a interação com a bicicleta e com o meio urbano, pois sabemos que é uma experiência diferente: antecipar as freadas, embalar nas subidas, reduzir com as pernas, sentir-se um só. Até então, minha opinião sobre o trânsito de Porto Alegre era mais positiva, naquilo que é possível ter de positivo em uma capital brasileira sem qualquer incentivo à bicicleta, ou seja, não recomendaria para muitos, porém me sentia relativamente seguro.

Já em relação à Massa, o clima era de amizade, celebração, tranqüilidade, reivindicação, visibilidade. Nem por isso tudo eram flores: xingamentos eram normais, pois o processo de sair da bolha não está ao simples alcance de uma atitude pessoal, é preciso vencer as estruturas alienantes e individualistas e, para contribuir com isso, não vejo como pedalar sem ser visto e sem “trancar” a rua momentaneamente. Mas esta já é uma discussão posterior que não deve prevalecer agora.

Apesar do descontentamento de muitos, nunca imaginei que algum motorista fosse capaz de simplesmente avançar o carro sobre mais de uma centena de ciclistas que pediam – vejam só que audácia! – mais humanização no trânsito e no espaço público. Sempre achei que uma briga poderia ocorrer, mas não isso.

Enfim, acho que a partir de agora tudo será diferente. A exposição dada ao fato nos coloca como responsáveis – qualquer ciclista – em defender cada vez mais a bicicleta como meio de transporte, o planejamento mais humano do espaço urbano e um maior respeito às leis de trânsito. Mas confesso que no momento, em meio a inquérito policial, processos judiciais e reportagens na mídia, o que eu queria mesmo era só pedalar de novo minha fixa!

Coragem!

Dailor Sartori Junior

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#naofoiacidente

fevereiro 28, 2011


O assunto não da pra ser outro:

 

• http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/02/motorista-suspeito-de-atropelar-ciclistas-deve-se-apresentar-diz-policia.html
http://massacriticapoa.wordpress.com
• http://terratv.terra.com.br/Noticias/Brasil/4194-348542/RS-video-mostra-momento-em-que-ciclistas-sao-atropelados.htm
• http://noticias.r7.com/cidades/noticias/grupo-de-ciclistas-e-atropelado-por-carro-no-rs-20110226.html
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia/2011/02/27/motorista-que-atropelou-ciclistas-deve-se-entregar-na-2.jhtm
• http://fixacwb.wordpress.com/2011/02/26/assassino-a-solta-em-poa-revolta
• http://asbicicletas.wordpress.com/2011/02/26/um-atropelamento-um-idiota-e-um-carro-ou-arma-em-mao-de-macaco
http://www.bikejuju.com/2011/brazil-critical-mass-attack-dozens-of-cyclists-mowed-down-by-motorist
http://prollyisnotprobably.com/2011/02/critical_mass-acre_in_porto_al.php
http://www.sfcriticalmass.org/2011/02/27/brazil-critical-mass
http://www.ridetheblackline.com/post/3556124864/brazil-critical-mass-tragedy-warning-this
http://www.theurbancountry.com/2011/02/critical-mass-carnage.html
http://www.verbicidemagazine.com/blog/tragedy-at-critical-mass-bike-ride-in-porto-alegre-brazil/1341
http://www.treehugger.com/files/2011/02/driver-plows-through-dozens-of-cyclists-in-brazil.php
http://www.doobybrain.com/2011/02/27/driver-intentionally-mows-down-cyclists-at-critical-mass-event-in-porto-alegre-brazil
• etc

A arte é do Cabelo.


Desafio intermodal 2010

setembro 18, 2010

Porra, Wagneta, perdeu do motoquero!

Saiba mais aqui.


Mão na roda

setembro 14, 2010

A galera do Ciclo Cidade mandando muito bem na construção da primeira oficina comunitária do Brasil.

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Na última quinta-feira (02/09), cerca de 30 pessoas participaram de uma reunião para a montagem de uma oficina comunitária de bicicletas em São Paulo.

A conversa, que girou em torno de experiências e possibilidades, resultou na criação da Mão na Roda, uma oficina comunitária que começa a funcionar em caráter embrionário na cidade de São Paulo.

A Mão na Roda pretende oferecer uma estrutura mínima e algum apoio técnico para que o ciclista urbano consiga realizar sozinho a manutenção de sua bicicleta.

Nesta fase inicial, a Mão na Roda estará abrigada no Espaço Contraponto e funcionará apenas uma vez por semana: toda quinta-feira, das 18h às 22h.

Contamos com a sua ajuda para a montagem da infra-estrutura: a Mão na Roda aceita doações de ferramentas, suportes e outros equipamentos necessários em uma oficina.

Se puder, leve a sua doação na próxima quinta-feira e participe da construção desta iniciativa.

O Espaço Contraponto fica na rua Medeiros de Albuquerque, 55 – Vila Madalena. Apareça por lá ou entre em contato.


Massa crítica na faixa de pedestres

março 26, 2010

Vídeo que o Luddista fez a milhões de anos.

Uma das mais divertidas massas críticas que já participei. Bons tempos aqueles, quando ainda era jovem e bem apessoado. Pros padrões da época foi uma massa grande: umas dez pessoas. Muita panfletagem, muita conversa com motoristas e pedestres, muita brincadeira, nenhuma confusão.

O ponto alto foi quando chegamos no teatro municipal. Atrás dele tem uma faixa de pedestres onde, obviamente, os pedestres eram solenemente desrespeitados.

Decidimos usar o poder da massa crítica e dar a preferência a quem deveria ter a preferência.

A CET na época ainda não conhecia direito a bicicletada e não soube muito bem como reagir. Chegaram a encher um pouco, a ameaçar, mas como a gente estava com a razão, foram embora.


É hoje

março 13, 2010

Arte do Siqueira


Foda-se a indy

março 12, 2010

Arte do Tiago Nepomuceno


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